A mesma lógica de segmentação dos cuidados prestados é proposta por Porter para os cuidados de saúde primários, em que aqui a segmentação e a especialização deve ser feita de acordo com o tipo de doentes: adultos saudáveis, mães e crianças, adultos em risco de terem doença crónica ou aguda, os doentes crónicos, os adultos com condições raras, os idosos e de saúde mais frágil, etc.
A lógica é uma vez mais a de melhorar o conhecimento de cada entidade sobre os doentes que tem a seu cargo e aumentar a produtividade. Há a necessidade ter um volume de doentes mínimo para que se possa gerar o conhecimento que permite o aumento de produtividade. Há uma escala mínima de actividade que é preciso ter.
A lógica de concentração de serviços para aumentar a qualidade do que é feito e reduzir os seus custos é algo que tem estado em discussão em muito lados. O lado negativo é o aumento da distância de alguns doentes a centros de tratamento, mas nas actuais condições de deslocação em Portugal, esse poderá não ser um problema maior. O custo dessa deslocação é porém um problema distinto, a ser pensado.
Há ainda uma tensão a resolver – ter um único centro para uma determinada patologia, por exemplo, aumenta o volume nesse centro, mas reduz a liberdade de escolha. Sendo o único centro do país, deixará de haver possibilidade de comparação com alternativas (nacionais). Num país de grande dimensão, a escala mínima para alcançar os ganhos de produtividade pode permitir ainda assim um número elevado de prestadores em actividade, com várias alternativas à disposição do doente (ou de quem escolher por ele). Quando se está num país pequeno, a falta de dimensão global pode levar a que seja difícil ter muitas alternativas, e em algos casos poderá mesmo ter-se situações de monopólio natural. Há que identificar e perceber se existe ou não esta tensão.
21 \21\+00:00 Julho \21\+00:00 2012 às 07:48
A distância entre a população não urbana (Lisboa, Porto e Coimbra) e os médicos não é um aspecto menor e não é definitivamente um factor de equidade entre todos os cidadãos em Portugal. Os decisores políticos que estão em Lisboa não sentem nem entendem o que significa esta distância.
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21 \21\+00:00 Julho \21\+00:00 2012 às 08:24
@Aida, a tensão entre proximidade e eficiência (menores custos) é uma das mais difíceis de resolver. Há ainda que considerar a qualidade dos cuidados prestados – e é aqui que a concentração tem um papel se a prática continuada levar a melhores resultados, situação em que os casos mais raros deverão ser concentrados para criar volume.
Uma outra dimensão é a percepção de distância – física, tempo – que pode ser discutida e eventualmente alterada, que é característica de países pequenos.
Mas como dizes as “preferências” em relação à distância percepcionada são parte do problema, mas não há um seu tratamento sistemático.
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21 \21\+00:00 Julho \21\+00:00 2012 às 20:00
@Pedro, no limite a maximização da eficiência resulta num só centro de saúde em Portugal… que seria em Lisboa porque é onde estão os decisores políticos.
Suponho que o objectivo não seja unicamente minimizar custos, mas maximizar uma função de bem estar social, claro que logo se levanta o questão de qual função e quais as ponderações dos factores.
Não nego a importância das economias de escala/gama/aprendizagem na pratica da medicina, o que me parece pouco aceitável é não existirem mecanismos (transportes, preços, etc) que minimizem a desigualdade de acesso (acesso em todas as vertentes) criada entre os cidadãos.
(se os decisores políticos ouvissem mais e houvesse mais participação talvez a percepção de distância fosse outra – eu tive de sair de um centro-pólo de saúde para entender minimamente este conceito de distância e de desigualdade)
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