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Relatório da Primavera 2012 (16)

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A secção 3.4 percepções dos profissionais de saúde no terreno (no original, seguem o novo acordo ortográfico, eu prefiro a “ilegalidade” do antigo), cruza diversos estudos (e graficamente segue uma linha diferente das secções anteriores).

Embora interessantes, os estudos parcelares têm um problema em comum com outras áreas do relatório – se pretendem ver o efeito da crise, tem de existir um referencial sem crise, e não apenas os valores absolutos. As questões de representatividade das amostras são evidentes, mas reconhecidas à cabeça no relatório. Todos os resultados são plausíveis, mas seriam igualmente plausíveis se os inquiridos não tiverem conhecimento específico de situações e se estabelecerem as suas percepções com base nas informações dos media. Exemplo típico é os transportes de doentes – todas as notícias vão no mesmo sentido de maiores dificuldades (resta saber se melhorias no transporte de doentes faria notícia, para que se possa pensar que os media são uma forma não enviezada face à realidade de construir percepções), por isso seria importante saber qual a fonte da percepção, ou pelo menos confrontar a percepção dos profissionais de saúde com a percepção da população em geral a saber se é diferente, ou onde é mais acentuada (ou menos).

A parte referente às consultas é, neste aspecto, mais adequada pois refere-se a piorar ou não piorar, o que já implica um ponto de comparação. E aqui a mensagem parece ser clara, a adesão à terapêutica parece ter piorado, lançando a necessidade de saber em quanto e com que consequências, e se afecta grupos especialmente vulneráveis ou se é geral.

O mesmo se pode dizer sobre o aumento de sintomas de depressão, o que não é aliás inesperado e surpreendente mas obriga à procura de respostas do serviço nacional de saúde a este diferente composição de necessidades da população.

Quanto aos profissionais, como seria de esperar há um desânimo e sentimento de falta de rumo geral. O que retoma o aspecto da importância de ter um plano estratégico com objectivos em termos de saúde com população com restrições de recursos, mais do que ter a redução de custos como objectivo central da actividade.

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Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

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