Vitor Gaspar entrou em roadshow, lá fora e cá dentro com uma longa entrevista ao Diário Económico. Dessa entrevista ressaltam vários elementos:
– ao fim destes meses, mantém o rumo decidido, apesar das incertezas. O discurso público limou algumas arestas, mas no essencial permanece a mesma consistência inicial. Continua a manter a postura do técnico envolvido na política quase por acaso.
– o reconhecer da importância da comunicação em primeira mão no exterior do que se está a passar em Portugal; é um exercício que faz parte da estratégia para ganhar confiança internacional na economia portuguesa, e que pode ser útil não apenas por causa dos mercados financeiros, mas também pelo investimento directo estrangeiro
– grande cuidado político em não assumir protagonismo para além do cumprimento das metas assumidas para as contas públicas
– a novidade é um optimismo mais evidente sobre o crescimento da economia, e pela primeira vez responde com um valor sobre o crescimento económico esperado como resultados das reformas em curso (estou curioso; prudentemente, não há promessas de criação de não-sei-quantos milhares de postos de emprego.
Nada de verdadeiramente surpreendente, mas a consistência e persistência por vezes são surpresa em si mesmas.
Vitor Gaspar termina a entrevista da seguinte forma:
“Portugal está a meio da ponte? Ou ainda não chegamos lá? Estamos a aproximar-nos do meio da ponte.” Esperemos que a ponte esteja construida totalmente!
Em qual das pontes estamos?
post gémeo com o blog No Reino da Dinamarca


21 \21\+00:00 Março \21\+00:00 2012 às 17:40
comentário recebido via facebook:
A imagem da ponte – que Cavaco usava nos anos 90 noutro contexto – é sempre bastante feliz. Nos meus momentos mais cépticos sobre “Portugal no euro” imagino pessoas a correr na ponte, com o tabuleiro a desfazer-se sob os seus pés. Optimismo é pensar que as pessoas correm mesmo depressa – ou que o tabuleiro se desfaz menos rapidamente… Um abraço
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