Ao contrário do que se pretendia no Memorando de Entendimento inicial, o montante de dívidas a fornecedores continuou a aumentar, e deverá vir a ser uma das áreas de intervenção nos próximos meses. Até para evitar mais derrapagens orçamentais futuras. Para além, de não haver a especificação de um plano concreto para eliminar o actual stock, e fazer desaparecer a tendência para o seu aumento, é importante notar que o principal sector onde este problema se mais faz sentido dentro da despesa pública é o sector da saúde, que numa versão ampla do perímetro orçamental é responsável por cerca de 45% de todos os pagamentos atrasados a fornecedores.
Monthly Archives: Janeiro 2012
The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 7)
A perda de nível da vida da população irá ocorrer quer pela redução do rendimento disponível, quer pelo aumento do nível de preços, mas há aspecto uma importante distinção a fazer:
a) o que é a dinâmica subjacente da inflação – subidas do nível geral de preços por as empresas subirem de forma livre, no mercado, os seus preços
b) o que é o efeito automático de aumento de preços num momento, no início do tempo, por resultado do aumento do IVA (de forma similar ao que tem acontecido sempre que se aumentou o IVA, global ou sectorialmente).
Aumentar o IVA aumenta os preços imediatamente, e provoca inflação, mas é um salto instantâneo na evolução dos preços. Não significa um acelerar de pressões inflacionistas, que será dificilmente compreensível num contexto de forte redução da procura interna, como será o caso.
Assim, há um papel didáctico a ser cumprido na apresentação dos valores da inflação, sendo desejável que seja identificado de forma clara o que no aumento do índice de preços ao consumidor (o indicador habitual para medir a inflação) é resultado de aumentos de impostos ou preços administrativos e o que é devido ao regular funcionamento da economia.
The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 6)
Na apresentação do cenário macroeconómico pela Comissão Europeia, na sua revisão do progresso do programa de ajustamento, surge uma frase (p.10), em que se refere que as famílias irão manter as taxas de poupança aos níveis de 2011, com o consumo privado a cair em linha com a redução do rendimento disponível.
Face aos aumentos de preços, e reduções de rendimentos, nomeadamente do sector público, questiono-me sobre a razoabilidade de assumir uma taxa de poupança constante, e qual o impacto que terá se essa taxa de poupança se reduzir. Creio que esta é uma hipótese merecedora de análise de sensibilidade.
actualização do programa -10 de Janeiro – The Portuguese health system: sustaining the future in troubled times
The Portuguese health system: sustaining the future in troubled times
Launch of the HiT health system review on Portugal
Lisbon, 10th January 2012 (13.30-17.30)
Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa
Campus de Campolide 1099-032 Lisboa
PROGRAMME
January 10th, 2011 |
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| 13:30 –14:00 | Registration and welcome |
| 14:00 – 14:3014:30 – 15:00 |
Opening – Welcome
International health reform trends in Europe The European Observatory on Health Systems and Policies and the HiT health system review as an analytical and comparative tool for health policy
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| 15:00 – 15:3015:30 – 16:0016:00 – 17:30 |
The Portuguese health system: challenges and opportunities
Coffee break Round Table debate on the future of the Portuguese health system Chair: Jorge Simões, President of the Portuguese Health Regulatory Agency Participants:
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| 17:30 |
Conclusion |
Registration
Registration can be done sending an email to raquel.fernandes@novasbe.pt. Registered participants will be entitled to receive a hard copy of the Portuguese Health System in Transition Profile on a first come first serve basis. There is no attendance fee.
Documentation
A limited number of copies of the Portuguese Health System in Transition Profile and other Observatory material will be available. The audience will be given the opportunity to order additional copies.
The report is also freely available in English on the web site of the European Observatory on Health Systems and Policies at http://www.healthobservatory.edu.
Language
Working language will be English and Portuguese (no simultaneous translation).
Venue:
Reitoria – Auditório
Universidade Nova de Lisboa
Campus de Campolide – 1099-032 Lisboa – Portugal
no dinheirovivo.pt, como é habitual à segunda-feira
Decidi esta semana fugir aos temas quentes, Jerónimo Martins, Maçonaria, EDP, e voltar ao tema do crescimento económico; por duas razões, porque é o verdadeiro problema da economia portuguesa, e porque se tem que procurar formas diferentes de actuação, pública e privada,
o texto original do dinheirovivo aqui, e a sua reprodução já de seguida:
Uma primeira pergunta
09/01/2012 | 01:09 | Dinheiro Vivo
Todas as previsões indicam que 2012 será um ano de recessão em Portugal – menor actividade económica. O desemprego atingiu valores elevados, nunca antes vistos na economia portuguesa.
A grande questão que se coloca é como pode Portugal retomar um caminho de crescimento económico. Se há aspecto consensual na sociedade portuguesa neste momento é a necessidade desse crescimento económico. Só que o crescimento económica não resulta automaticamente de se afirmar a sua importância. Nem é possível a um Governo determinar ou decretar esse crescimento.
A definição do papel do Estado, como entendido pela sociedade, é, agora, um dos factores cruciais. Não basta ao Governo redefinir o que acha ser o papel do Estado, é necessário que a sociedade o assuma também.
Tornou-se claro, nos últimos dois anos, que a evolução da economia portuguesa da última década não poderá ser invertida com projetos de investimento público de elevada envergadura. Há várias razões para isso: os que se tentaram não funcionaram, não há dinheiro para os fazer, e o Estado tem-se mostrado exímio em investir sem retorno. No caminho a seguir, a importância das exportações é também assumida de forma geral. Só que o Estado pouco ou nada produz que possa exportar, ou pelo menos assim parece.
Dito isto, é necessário então que a sociedade, todos nós, procuremos um caminho diferente. Esse caminho não pode passar por apoios do Estado, ou pelo beneplácito do Estado, ou pela autorização do Estado que concede uma situação de favor, ou uma renda económica, ou a utilização de um recurso com valor económico em exclusivo.
Para encontrar um novo caminho, proponho que se comece por reconhecer que o padrão de produção dos últimos dez anos da economia portuguesa não poderá ser mantido. Significa que um dos principais papéis do Estado é facilitar a mudança dos trabalhadores entre empresas, entre sectores e talvez mesmo entre regiões do país.
Aceitando esta premissa, uma simples pergunta deve ser feita para qualquer medida que seja anunciada como favorecendo o crescimento da economia: facilita estas diferentes mobilidades de trabalhadores?
Se sim, tenderá a ser uma boa medida. Se não, deverá ser procurada uma alternativa. Esta pergunta pode ser aplicada a várias reformas, medidas, ideias, que têm começado a surgir nos últimos tempos. Dois exemplos: a lei das rendas, e linhas de apoio às pequenas e médias empresas. A lei das rendas vem facilitar a mobilidade dos trabalhadores e das suas famílias? Não a conheço em detalhe para dar a resposta, mas em termos de contribuição para o crescimento económico é bom que seja conhecida. Não é apenas uma questão de redistribuição de valor (da renda paga) entre inquilino e senhorio que está em causa. A mesma pergunta deve ser aplicada à nova linha de crédito anunciada: facilita a mobilidade de empresas e de trabalhadores entre sectores, ou serve apenas para prolongar a “agonia” de empresas que não serão viáveis? Mais uma vez, não conheço os detalhes para dar resposta, mas espero que alguém a conheça.
Para encontrar o caminho do crescimento económico, há que saber fazer as perguntas certas. A que proponho, “facilita a mobilidade de trabalhadores, seja entre empresas, entre sectores e/ou entre regiões?”, julgo fazer todo o sentido para uma rápida lista de verificação da adequação das propostas a uma estratégia que leve a economia portuguesa de novo ao crescimento económico.
Nova School of Business and Economics
ppbarros@novasbe.pt
Escreve à segunda-feira
Escreve de acordo com a antiga ortografia
The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 5)
Um aspecto que me surpreendeu não ser focado no sumário executivo desta segunda revisão foi a reforma administrativa do país – a redução do número de autarquias e de freguesias. Até porque já começou a ser visível a contestação dos visados a essas mudanças. Talvez na leitura do relatório e da versão actualizada do Memorando de Entendimento fique claro o caminho que se pretende. No entanto, o assunto é suficientemente relevante para figurar com destaque similar a outros no sumário executivo, e tal não sucede. Antes de se passar ao desenho de um novo mapa administrativo do país (se é que tal vai de facto ocorrer), será bom que se conheçam os critérios a seguir, e que vantagens e desvantagens para as populações se esperam dessas mudanças. Muito pouco se sabe sobre isso, excluindo os protestos do poder local face à redução de entidades (freguesias ou / e concelhos).
The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 4)
Ao mesmo tempo que diz que Portugal fez bom progresso em várias frentes, mantendo-se desafios importantes, a Comissão Europeia, refere também que será necessário perseverança e emprenho do Governo para ultrapassar os fortes interesses instalados que se oporão às reformas. (final da p.6, início da p. 7, ainda no sumário executivo).
Ora, será importante que exista alguma forma de monitorizar este aspecto – para cada reforma que interesses instalados são afectados? qual é a sua reacção? que visibilidade deve ser dada à (eventual) oposição desses interesses às reformas? Como transformar a população numa aliada das reformas, em vez de aliada dos interesses? E sempre que os benefícios estiverem dispersos, mas os custos das reformas concentrados, quem perde tenderá a ser mais vocal e interventivo. A gestão política das reformas será um elemento determinante da capacidade de montar as reformas que se desejam.
Seria interessante ter informação publicamente disponibilizada e analisada sobre este aspecto. É um desafio para a comunidade académica que se dedica à ciência política fazer e tornar para todos disponível a sua apreciação deste aspecto.
da discussão com o Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar
A sessão de ontem, de discussão sobre o Relatório do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar, deixou algumas questões para aprofundamento de discussão.
1. Prazos estabelecidos para a melhoria
2. Princípio da liberdade de escolha
3. Qualidade como propósito central, mais qualidade significa menores custos
4. Experiências piloto que não sejam eternas
5. Tornar visíveis as oportunidades de melhoria de eficiência
6. Mas também passar à acção rapidamente, sendo que o Grupo Técnico se extingue com o fim da consulta pública.
7. Relevância, ou não, de uma visão sistémica para agir neste momento (dado o enquadramento da Troika)
Vamos discutindo.
Para participar na avaliação da proposta de reforma hospitalar…
O grupo NOVA Saúde, da Universidade Nova de Lisboa, usou na sua contribuição para a consulta pública do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar, uma rápida grelha de avaliação das iniciativas propostas.
Decidimos colocar disponível o questionário electrónico: Utilize esta ligação para proceder a uma avaliação do Relatório do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar, segundo as três dimensões propostas no documento do NOVA Saúde. Os resultados deste inquérito online serão oportunamente divulgados (em termos agregados, naturalmente; de forma similar à que consta da contribuição do NOVA Saúde).
Toda a divulgação que fizerem do inquérito, e incentivo ao seu preenchimento, será um contributo para a discussão pública.
Discussão das propostas do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar
Decorreu hoje na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa uma sessão de discussão sobre as iniciativas propostas pelo Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar, que teve como ponto de partida uma reflexão feita dentro da Universidade Nova de Lisboa.

