Na análise macroeconómica da Comissão Europeia é dado realce ao problema criado pelo acelerar do endividamento junto da banca das empresas públicas, cortando o crédito ao sector privado produtivo. Esta questão assume especial importância porque quem externamente poderia emprestar “não quer aumentar a sua exposição a Portugal em termos nominais”, ou seja, tem medo de não ser pago, não tendo essas entidades externas aparentemente capacidade para discriminar entre bons e maus projectos nacionais.
Esta questão é diferente de um “credit crunch”, situação que é explicitamente afastada como estando presente.
O problema existente parece-se por isso ser uma questão de para onde direccionar o crédito, se para as pequenas e médias empresas produtivas se para as empresas públicas. Na medida em que estas últimas têm uma baixa taxa de retorno no investimento que fazem (aliás, os empréstimos destinam-se a financiar o seu funcionamento normal em grande medida, ou mesmo pagar encargos financeiros), por comparação com as primeiras, está-se a colocar em risco as possibilidades de crescimento futuro da economia.
As implicações para a re-estruturação dos sectores públicos que fazem esta drenagem de recursos não tem unicamente a ver com os seus custos, mas sim com o custo de oportunidade, em termos dos outros sectores que deixam de ser financiados, de lhes dar financiamento que não pode ser canalizado para fins produtivos.