Justificação: O atendimento ao doente agudo do SNS requer a marcação de consulta do dia (ou equivalente) do doente junto da sua Unidade de Saúde. Contudo, tal assume que o utente i) se encontra na proximidade da sua unidade de saúde, ii) que o utente tem médico de família atribuído e iii) que o utente consegue contactar a sua unidade de saúde para marcação da consulta. Estes três pressupostos não são por vezes verificados, o que leva a que os doentes se desloquem às urgências hospitalares. Recomenda-se que cada Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) tenha um serviço de atendimento ao doente agudo não emergente. Este serviço deverá incluir a disponibilidade de meios técnicos de diagnóstico básicos. O atendimento a estes doentes é sujeito a marcação telefónica / online prévia via SNS24 e deverá estar aberto a qualquer utente (independentemente da sua unidade de saúde e de ter ou não médico de Medicina Geral e Familiar (MGF)) e com horário alargado. Esta proposta não substitui a necessidade de existirem consultas do dia / consultas abertas para o doente agudo aceder ao seu médico de família (MdF) e à sua unidade. Contudo, permite um maior acesso e maior flexibilidade dos utentes com vista a uma maior resolutividade dos CSP.
Entidades envolvidas: DE-SNS; ACES
Calendarização de aplicação da proposta: Piloto com 4 ACES em 2024, avaliação e potencial generalização em 2025
Dificuldade de concretização:
| técnica | política | custo |
| elevada | média | médio |
Que entidade deverá fazer o acompanhamento da concretização da proposta? DE-SNS
Proposta por Eduardo Costa
10 \10\+00:00 Fevereiro \10\+00:00 2024 às 23:16
As USFs não têm utentes sem MF (estes estão todos concentrados nas UCSPs, uma por ACES
Se cada MF tivesse a cultura de atender todas as situações agudas dos seus utentes (como é aliás suposto acontecer numa USF) o problema seria muito menor
Mas repare-se como o é o Governo quem indica às pessoas para ligarem para a linha da Saúde 24 e não para o MF…
Os ACES têm um serviço de Atendimento Complementar, mas com horário reduzido. Antigamente havia os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) que estavam abertos 24 horas e eram a referência dos utentes para a doença aguda. Os seus horários forma se reduzindo e acabaram extintos e substituídos pelos Atendimentos Complementares dos ACES de horários reduzidos. A referência perdeu-se e as pessoas passaram a ir diretamente para as Urgências dos Hospitais.
Agora a referência que precisa ser introduzida é o recorrer ao MF nas situações agudas. Com a generalização das USFs B estas têm a obrigação de dar respostas aos sues utentes (e de atenderem rapidamente o telefone)
E mos períodos críticos os horários de funcionamento das USFs devem ser alargados
Nota: Se os Médicos forem deslocados para o ACES estarão a faltar na USF
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10 \10\+00:00 Fevereiro \10\+00:00 2024 às 23:24
foca um aspecto que é fundamental resolver, contudo discordo da proposta de existência de meios complementares de diagnóstico por defeito nestas unidades de CSP para atendimento a doentes urgentes. A grande maioria das situações urgentes em CSP não carece desses meios complementares de diagnóstico, sendo essa precisamente uma das suas virtudes. A gestão da incerteza clínica em situações clínicas ligeiras a moderadas, frequentemente indiferenciadas, e o uso do tempo e da acessibilidade como ferramenta diagnóstica uma das competências diferenciadoras que os médicos de família dominam. Devemos resistir a fazê-lo só para ‘fazer a vontade’ à noção que as pessoas têm de que quantos mais exames melhor. Ter alguns exames mas não ter todos poderia tornar-nos numa versão pobre de um serviço de urgência. Evidentemente que em realidades do país com maior distãncia aos cuidados hospitalares poderá fazer sentido a existência de urgências básicas dotadas de meios complementares, mas assinalando que são uma urgência básica e não um centro de saúde comum.
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11 \11\+00:00 Fevereiro \11\+00:00 2024 às 14:23
Muito bem
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12 \12\+00:00 Fevereiro \12\+00:00 2024 às 10:29
Obrigado pelos comentários. Concordo que muitas situações urgentes não carecem de MCDTs. Contudo, importa avaliar a taxa de resolutividade do doente agudo nos CSP e a sua eventual ligação com a falta de MCDTs básicos. A avaliação de custo-benefício pode ajudar a determinar o valor acrescentado que possa, ou não, existir pelo facto de existirem MCDTs nos CSP.
Realça-se que não se pretende introduzir MCDTs em todas as unidades dos CSP – apenas nos serviços piloto criados nos ACES. Não se pretende que estes serviços se tornem urgências básicas (mas sim algo mais na linha dos antigos SAPs/SACs).
Para além disso, destaca-se também o facto de se pretender potenciar um maior acesso a este serviço – em particular para doentes deslocados e para doentes sem MGF atribuído.
Tal não invalida que as USF B sejam avaliadas com base na sua capacidade de fazerem face a situações agudas dos seus doentes (na linha do referido pelo primeiro comentário).
Eduardo Costa
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12 \12\+00:00 Fevereiro \12\+00:00 2024 às 23:19
Fora do horário de atendimento das USF/UCPS, todos as ULS terão nesta data SAP/SAC/SASU abertos. Em alguns locais do país com horário após 20h dias úteis, e na maioria dos locais sábados e domingos.
Discordo totalmente de que este serviço deva incluir meios técnicos de diagnóstico; talvez em algumas áreas geográficas específicas. O dinheiro que jorra do PRR para radiografias e point of care (glucose, hemograma, PCR), nunca será usado na minha consulta. Um Médico de Família tem consulta aberta habitualmente numa cadência de 15 em 15 minutos, nada compatível com recolha de amostras de sangue, e processamento de resultados.
A beleza da disciplina é essa, é clínica. Antecedentes médicos, medicação crónica, alergias, lista de problemas (incluindo sociais) introduzida previamente no SClínico (que é felizmente do que disponho no meu local de trabalho para toda a nossa população que servimos), permitem essa personalização de cuidados. Os meios de que preciso e por vezes não tenho é toner na impressora.
O alargamento de horários de trabalho destrói as equipas, e afasta muitos os trabalhadores do SNS. Se neste processo em curso de ULSzição dos CSP formos obrigados a todas as horas extraordinárias contratuais aos fins de semana, pode marcar a rescisão e saída de muitos profissionais de saúde do SNS.
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17 \17\+00:00 Fevereiro \17\+00:00 2024 às 22:55
muitíssimo bem dito, é isso mesmo, e isto liga-se com a medida anterior, como reter as pessoas os CS. mostra também que o paradigma dos CSP (abordar e resolver a grande maioria das situações clínicas sem mcdt) e da MGF não é fácil de interiorizar por quem está de fora, já não digo população geral, mas estudiosos como os autores do documento.
a resolutividade dos CS não é de todo o problema do sns.
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20 \20\+00:00 Fevereiro \20\+00:00 2024 às 15:34
além de usar mcdt não ser de todo o core da consulta de agudos em CSP
– a colega falou na cadência da consulta de 15 minutos, sem agenda para incorporar reavailiações de doentes quando surgirem os resultados dos exames (agenda-se o mesmo paciente duas vezes? três?)
– mas há ainda a questão do espaço físico: onde espera um doente, que está tão doente que precisa de fazer mcdt, onde fica durante as várias horas que os resultados demoram a sair? na sala de espera? e se forem 2 ou 3? quem os vigia (estes serão doente muito doentes)?
– e se os mcdt não tiverem saído até ao fecho do centro de saúde? ou até ao final do turno do MF que o viu? passamos a ter um tempo para passagem de turno?
mcdt nos centros de saúde não faz sentido nenhum, não é MGF nem tem incorporação possível no dia-a-dia de um centro de saúde.
o que eu preciso é de mais tempo para ver os meus doentes (isso evita hospitalizações e diminui a mortalidade). o que é preciso por esse país fora são mais MF para ver mais doentes, para manter os doentes crónicos estáveis e afastados dos SU
(Mónica Granja, MF, Matosinhos)
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