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Comentários ao Plano Costa Silva (12)

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Os comentários de hoje vão as subsecções dedicadas pelo Plano às cidades e mobilidade, e cultura, serviços, turismo e comércio.  No primeiro caso, cidades e mobilidade urbana, três tipos de efeitos: maior uso da eletricidade como energia de base para modos de deslocação, menor mobilidade por teletrabalho, mais economia “partilhada”. 

Aqui, torna-se especialmente interessante pensar na “economia da partilha”, pois passa-se a colocar a questão de como fornecer o acesso aos modos de deslocação partilhados, serão novas empresas com novos modelos de negócio (como o foi a Uber e similares) ou serão alargamentos da cadeia vertical? Acesso generalizado significa capacidade instalada excedentária, o que se todos ou grande parte dos consumidores estiverem na “partilha” significa que haverá provavelmente grandes empresas envolvidas para conseguirem cobrir os custos fixos dessa capacidade excedentária. A forma como formalmente se organiza então a partilha poderá ser muito diferente, em termos de modelo de negócio, do modelo modelo Uber. Na parte da cultura, turismo e comércio, há que atender a um elemento económico fundamental – tendem a ser atividades económicos intensivas em trabalho, jargão económico para dizer que têm muitos trabalhadores pela própria “tecnologia” associada – e a redução da sua atividade implica necessariamente um volume de desemprego. Como parte importante desses trabalhadores é pouco qualificada tecnicamente, sobretudo no turismo e comércio, as oportunidades que têm de encontrar colocação noutros sectores acaba por se decidir com base em salários (mais) baixos. Além de haver uma componente de trabalhadores informais que por isso mesmo podem escapar aos mecanismos de apoio social criados no âmbito da pandemia. Aqui mais do que a “revitalização”, ou seja apenas retomar os níveis de atividade anteriores à pandemia, é necessário perceber como se pode melhorar a mobilidade entre sectores de atividade económica destes trabalhadores, e de uma forma que permita maior produtividade e logo maiores salários. Não me pareceu que o Plano Costa Silva tivesse dedicado pensamento suficiente a este problema.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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